Ah, que saudade de um acento diferencial...


“Para para admirar o luar!”

“A pulga passeia pelo pelo do cão.”


Se você escrever essas frases no Word, o programa indicará que você repetiu palavras, no caso, claro, “para” e “pelo”. Sabe de nada, inocente. De acordo com a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, vigente desde de janeiro de 2009, o acento diferencial caiu em muitos casos.


Explicando: acento diferencial é aquele utilizado para fazer a distinção entre palavras que têm a mesma grafia. Antes da Reforma, você escreveria:


“Pára para admirar o luar!”

“A pulga passeia pelo pêlo do cão.”


No 1º caso, o acento iria diferenciar o “para” do verbo parar e o “para” preposição; no 2º, o “pelo” preposição do “pelo” substantivo.


Outros exemplos de palavras que perderam seus acentos diferenciais são péla (do verbo pelar), pólo (substantivo) e pêra (fruta).


Já no caso de “pôde” (pretérito perfeito do indicativo da 3ª pessoa do singular) e “pode” (presente do indicativo da 3ª pessoa do singular), o acento permanece. Assim:


“Como ele pôde fazer isso comigo ontem?”

“Como ele pode continuar agindo assim?”


Também mantiveram o acento diferencial, por exemplo, pôr (verbo) e por (preposição); dá (verbo dar) e da (preposição); têm (verbo no plural) e tem (verbo no singular); vêm (verbo no plural) e vem (verbo no singular), mantêm (verbo no plural) e mantém (verbo no singular), entre outras.


Agora uma curiosidade. Somente o par “forma”/”fôrma” teve o privilégio de manter o acento diferencial como opcional. Deste modo:


“Qual a melhor forma de forma para este bolo?” ou

“Qual a melhor forma de fôrma para este bolo?”


O uso do acento não é necessário, mas, se as duas palavras estiverem na mesma frase, ele deixa as coisas menos confusas, não?