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Profissionais da saúde: além do físico, somos mente e alma


Estou admirado com o número de farmácias que estão se instalando por aí. Para não ficar só no achômetro, dei uma pesquisada rápida na internet e descobri que o Brasil está entre os maiores mercados consumidores de fármacos do mundo. O crescimento do varejo farmacêutico por aqui no ano passado foi de 13,5%, sendo esperados para 2023 mais 11,4%. É um segmento que movimenta cerca de R$ 90 bilhões ao ano.


Se este setor está experimentando números tão positivos, é porque a população está doente. Física e, talvez em especial, mentalmente. A gente precisa de remédio para regular a pressão e o colesterol, para dormir, para acordar, para não ficar deprimido nem ansioso, para todo tipo de dores, para gases, para matar vírus e bactérias, para fazer e para não fazer cocô. E quem fala aqui não é daqueles que enchem o peito para dizer: “Eu não tomo remédio!”.


Tomo sim, todo ano faço meus exames e sigo as orientações médicas. Recorro também a chás, florais e outra alternativas menos agressivas ao organismo. Mas quem aguenta ficar só no chazinho quando a dor de cabeça aperta? O problema principal, creio, é que os profissionais da saúde – ou boa parte deles, pelo menos – esquecem-se que somos seres compostos de corpo, mente e alma. Você trata só uma parte do corpo com um remédio que detona outra. E assim vai.


Talvez aquela dorzinha renitente seja psicossomática. Mas são raros os médicos que levam isso em conta. Recentemente, estive num geriatra. Fui fazer meu check-up anual e, do alto dos meus 50 e tantos anos, achei que, devido a algumas dores que tenho sentido nas articulações, seria interessante recorrer a um especialista acostumado a lidar com gente de mais idade. Engano. Entre consulta e retorno, desfrutei da desconfortável sala de espera da clínica por três horas e meia. Isso mesmo, 210 minutos aguardando o doutor me atender.


Juntando os dois encontros, fiquei no consultório do médico menos de 15 minutos. Ele não me perguntou sobre meus hábitos, sobre meu dia a dia. Limitou-se a pedir exame de sangue e urina e comparou os resultados com os padrões. Tudo ok, volta no ano que vem. Não mediu minha pressão, nem auscultou meu coração ou pulmões. Imagine então se ele cogitou que minhas dores pudessem ter origem emocional.


Quem levantou essa hipótese foi um massoterapeuta. Este, sim, perguntou sobre meu cotidiano. Disse que trataria meu corpo físico, pois sua formação é para isso. Mas conversarmos bastante sobre mente e espírito. Saí de lá inspirado a procurar também outros caminhos, além de medicamentos. E com a esperança de que a saúde consiga formar mais profissionais como ele.

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