Pense antes de cravar que alguém errou um verbo...


Dia desses, compartilhei um texto que trazia a frase “Vimos fazendo muitos esforços” e alguém reclamou. Tem coisa errada aí, avisou. Decretou que o correto seria “viemos”. Não era. Não culpo o colega pela crítica, porque há verbos que realmente soam esquisitos quando lemos ou ouvimos algumas de suas conjugações. Há uma lista deles, mas vamos nos concentrar em alguns apenas.


Há, inclusive, verbos chamados de defectivos, que não se conjugam em todos os modos, tempos e pessoas. Isso acontece por vários motivos. Por exemplo, a confusão que algumas conjugações causariam: “falar” e “falir”, na 1ª pessoa do indicativo, seriam “falo”. Então, só o primeiro ganhou esse “privilégio”. Sons desagradáveis ou conotações pejorativas também estão entre as causas de “mutilar” as conjugações de alguns verbos.


E há aquelas conjugações que de fato existem, mas que todo mundo olha torto quando você fala. Um exemplo: “Se você vir o João, diga que preciso falar com ele”. A grande maioria das pessoas usa “Se você ver...”. Outro: “Se for fazer negócio com o Pedro, deixa que eu intermedeio”. Você usaria “intermedio”? Pois é, estaria errado. Mais um: “Maria se maquia diariamente, ela é muito vaidosa”. Isso mesmo, não é “maqueia”.


Outro erro muito comum é a flexão para o plural do verbo haver no sentido de “existir”, “acontecer”, “ocorrer”. Nesses casos, ele é impessoal, portanto, empregado na terceira pessoa do singular, independentemente do tempo verbal. Assim: “Havia muitos carros naquela avenida”, e não “haviam”. “Deste jeito, não haverá mais motivos para continuar”, e não “haverão”. “Houve muitas dúvidas sobre quem estava certo”, e não “houveram”.


A coisa vai longe. Portanto, não tenha preguiça de recorrer a uma pesquisinha quando pintar aquela dúvida. Tem um senhor chamado Google que ajuda muito nessa empreitada.