Para! Para que isso?



Em 1990, as nações que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa – Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – decidiram que todos os povos lusófonos deveriam, na prática, e não só na teoria, falar a mesma língua. Surgia então o Novo Acordo Ortográfico, que em terras brasileiras passaria a ser obrigatório em janeiro de 2016.

O tal acordo nos fez ter que reaprender um monte de regras da nossa amada língua portuguesa. Por exemplo, a trema. Acabaram com a trema! Até hoje não me conformo de ter que escrever “linguiça” e não “lingüiça”. Ah, como era charmosa a trema...

Entre muitas outras mudanças, foi abolido também o acento agudo diferencial utilizado em duas flexões do verbo parar: 3ª pessoa do singular do presente do indicativo (ele para) e 2ª pessoa do singular do imperativo (para tu).

Portanto, a forma verbal “para” não se distingue mais da preposição “para” com o acento. A gente tem que sacar o que é uma coisa e o que é outra no contexto. Ficou esquisito. Vejamos exemplos.

Antes do acordo:

- Pára, por favor, para que a criança possa dormir.

- Para que ir ao cinema se ele não pára de falar?

Claro, não?

Depois do acordo:

- Para, por favor, para que a criança possa dormir.

- Para que ir ao cinema se você não para de falar?

Bem pior...

Importante lembrar que o acordo aboliu o acento diferencial em quase todas as palavras paroxítonas homógrafas. “Pelo”, que pode ser tanto a preposição quanto o filamento que carregamos no corpo, é outro de muitos exemplos.

Atenção também a palavras que são formadas por justaposição com a forma verbal “para”, como paraquedas, que também perderam o acento. Você deve se lembrar que antes era “pára-quedas”.

Aí eu pergunto: Para quê, gente! Para!

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