Crônica: ESTÁ NA HORA DE DECIDIR: DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?


O assunto já rendeu debates acalorados em reuniões familiares e de amigos, porque é polêmico. Paixões desenfreadas dos dois lados da trincheira. Vozes elevadas. Apego às opiniões, num contínuo “não abro mão”. Relacionamentos estremecidos. Sim, vou colocar o dedo na ferida. E você vai tomar partido, para cá ou para lá, eu sei. Mesmo que não admita nem para si mesmo. Nem que jure levar para o túmulo seu ponto de vista. Mas, lá no fundo, saberá sob qual bandeira militaria sem pestanejar.

Esquerda? Direita? Não! Nada disso. Isso é perfumaria. Aqui o buraco é mais embaixo. A questão é: alimentos veganos devem levar os nomes dos originais feitos à base de carne? É isso mesmo. Está colocada a questão que tem potencial para detonar uma guerra global. Corajoso que sou, vou logo dando minha opinião: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Um hambúrguer, o que é? Um quitute cujo componente primordial é a carne.

Tanto que, quando chegou aos Estados Unidos, vindo da Alemanha, chamava-se “bife de Hamburgo”, em referência à cidade de onde partiram os imigrantes que levaram sua receita para a América. Portanto, hambúrguer sem carne não é hambúrguer. Se você não come carne, não come hambúrguer. Não existe hambúrguer de soja ou de feijão. Podem existir alimentos com formato e textura semelhantes ao velho e bom hambúrguer. Até o gosto pode lembrar. Mas não são hambúrgueres. E ponto final.

Os inventores de comidas veganas deveriam colocar a criatividade para funcionar e parar de dar a seus pratos os nomes das receitas que levam carne. Sojúrguer. Feijúrguer. Sei lá. Até porque, se a ideia é não comer carne, é melhor mesmo que o alimento não guarde semelhanças afetivas com seus originais voltados aos carnívoros. Tenho certeza de que muitos veganos concordarão comigo neste ponto. Aliás, nada contra a dieta vegana. Muito pelo contrário. Um dia, ainda tomo coragem de incorporá-la ao meu dia a dia.

Porém, nesse dia, não vou querer comer coxinha de jaca, por exemplo. Até porque coxinha de jaca não existe. Para ser chamado de coxinha, esse salgado precisa de frango. Alguém vai dizer que comeu coxinha de carne seca, eu sei. Não, não comeu. Comeu um salgado de carne seca. Já vi receitas de pão de queijo vegano, omelete vegano... Até frango xadrez vegano! Como assim? Olha o nome: frango xadrez. Se tem frango até no nome, como pode ser vegano? Ou é uma coisa ou outra. Por que não chamar de soja xadrez?

Na verdade, nem deveria lembrar o nome do produto original. Inventa outra coisa. É feito do quê? Tofu? Então que tal tofu colorido? Bem melhor, né? Ou não. Mas não estou aqui para batizar receitas. Minha função é fazer essa importante discussão ultrapassar as fronteiras das mesas dos bares e dos almoços em família. O mundo se dividirá em dois e só após resolvermos nossas diferenças poderemos ver a humanidade evoluir em paz. E, nesse dia, comemoraremos fazendo uma deliciosa picanha de banana! Epa...

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