Crônica: Chega mais, cinquentão!


Não foi exatamente da maneira mais confortável que começaram as comemorações do meu meio século de vida, a ser completado neste 29 de abril. Afinal, na manhã desta segunda abri a semana com o rotineiro exame anual de próstata. É daquelas coisas que, quando se é jovem, parecem tão distantes que dão a impressão de que nunca vão acontecer. Mas, quando você menos espera, lá está o urologista com o dedo preparado pra percorrer suas entranhas. São segundos que parecem uma eternidade. Enfim, obrigação cumprida.

Nem o tal exame de toque, porém, faz com que me sinta mais velho. Nem os remédios pro colesterol e pra pressão alta. Sinto-me jovem, e acho que isso é bom. Dizem que os homens nunca saem da 3ª série. Acho que nem cheguei nela ainda. Dia desses, um vizinho de infância me achou no Facebook, trocamos contatos, conversamos, descobri que ele é pastor evangélico no litoral e que tem cinco netos. É um ano mais novo que eu. Me senti mais garotão ainda. Espero que minha eterna amada confirme a tese.

Costumo dizer que os 50 anos representam a metade da vida. Otimismo, você vai dizer. Pode ser. Participei da direção de uma entidade e nela convivi com um colega que dizia ter um pacto com Deus: viveria até os 100 anos. Ele tinha certeza disso. Nem chegou nos 80. E olha que tinha uma vida bem saudável. Talvez ao chegar no Céu ele tenha cobrado o Criador por não cumprir com Sua parte no acordo. Mas aí já era tarde. Na Terra de novo, só na próxima encarnação.

Da minha parte, Deus não prometeu nada. Claro que não. Ele é quem sabe quanto tempo cada um de nós vai perambular por este planetinha azul, tão maltratado. Acho que essa história de querer viver 100 anos é só apego mesmo a tudo – e principalmente a todos – que a gente tem por aqui. Vai ver que, chegando mais perto do centenário, estarei contando os minutos pra dar meu lugar na Terra pra alguém mais cheio de gás e paciência. Até lá, entretanto, vou me submetendo aos exames de próstata, remédios e outros recursos que garantem minha saúde. Espero...

Faço meus esportes, tenho cada vez mais procurado caminhos que tornem mais raso meu poço de ansiedade, tento me alimentar bem, não fumo e não uso drogas e gostaria de falar que bebo com moderação. Mas aí depende do que se entende por moderação. Gosto de cerveja. Bastante. Pronto, falei. Atire a primeira pedra, se for capaz. E garanto: desde sempre sigo o principal conselho (e exemplo) que meu pai me deu nesta vida: seja honesto!

Então taí. Cinquentão se apresentando e eu não poderia ser mais grato por tudo o que a vida me ofereceu nesse tempo todo. Sonhei em comemorar com uma baita festa, o que não seria possível a não ser que ganhasse na Mega Sena. Sigo jogando, religiosamente. Nunca imaginei, no entanto, que meu jubileu de ouro fosse festejado durante uma quarentena por causa de um vírus. Nem isso vai me fazer reclamar. Talvez eu só dê uma reclamadinha por nosso país ter voltado à Idade Média. Um presente de grego miliciano que nossos compatriotas nos deram. Essa culpa eu não carrego.

Chega mais, cinquentão. Vou te receber com uma festa humilde, mas limpinha. Quem sabe comemoro os 51 com mais pompa e circunstância. Até lá, ainda vão rolar vários concursos da Mega Sena...

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